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A CASA MUSEU NA RUA DIREITA EM PIRENÓPOLIS

Nélia Dias Nogueira Peixoto


Na Casa Museu, localizada na Rua Direita nº 39, no Centro Histórico da cidade de Pirenópolis – Goiás, se instala o conhecido Museu das Cavalhadas, que foi fundado por Maria Eunice Pereira e Pina, no ano de 1976, local de sua própria residência. A Rua Direita é uma das mais antigas de Pirenópolis, conservando casarões em estilo colonial que datam do século XVIII. O Centro Histórico como um todo, do qual a Rua Direita faz parte, é tombado como patrimônio histórico e arquitetônico nacional, o que reforça a importância de cada um de seus elementos para a identidade e a história do Brasil Central.


A história de Pirenópolis remonta a 1727, com a descoberta de ouro por mineradores. A Rua Direita surge nesse contexto, como parte do traçado urbano inicial, e é um dos eixos principais do desenvolvimento da antiga Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte (nome original de Pirenópolis). Ela se configurou como um dos pilares de um esquema de organização espacial bipolar, com um eixo central que cortava transversais e implicava em uma certa regularidade, ligando os pontos mais importantes da então vila. Seus casarões em estilo colonial, muitos deles datados a partir do século XVIII, ainda hoje são testemunhas da sua longa história e conservam a arquitetura da época. (CARVALLHO, 2001, p. 18).


O Museu das Cavalhadas é um espaço dedicado a preservar e divulgar a história e a tradição das Cavalhadas, uma das festas populares mais emblemáticas de Pirenópolis. As Cavalhadas representam a lendária batalha medieval entre mouros e cristãos, sendo uma manifestação cultural rica em simbolismo, cores e emoção. O museu reúne um acervo: peças, ornamentos, máscaras, vestimentas coloridas e fotos que contam a história dessa tradição centenária. O pesquisador Carlos Rodrigues Brandão:


Analisa as Cavalhadas sob uma perspectiva que vai além da mera encenação histórica da luta entre cristãos e mouros. Para ele, a festa é um espaço onde se articulam e se reproduzem estruturas sociais, identidades coletivas e individuais. Ele explora como a celebração, intrinsecamente ligada à Festa do Divino Espírito Santo, marca o tempo e atua como um elemento central na dinâmica da sociedade pirenopolina. (BRANDÃO, 1974, p. 208).


Conhecida como Salvaguarda da Memória de um patrimônio, contribui para a preservação da cultura pirenopolina, permitindo que visitantes e pesquisadores compreendam a profundidade e o significado das Cavalhadas para a comunidade. Espaço de referência, a Casa museu se tornou um ponto turístico relevante para quem deseja mergulhar na cultura local e entender a riqueza de uma das  manifestações folclóricas de Goiás. A visita ao Museu das Cavalhadas, oferece uma oportunidade única para conhecer e valorizar parte de um  patrimônio cultural de Pirenópolis.

A fundadora, Maria Eunice destaca a relevância histórica e cultural sendo o legado deixado com a criação do Museu das Cavalhadas, a preservação do patrimônio e identidade pirenopolina. Este local tem representado um ponto de encontro entre as culturas, com rica expressão regional e goiana, que aos poucos se expandiu para atender à crescente demanda dos visitantes com sede de conhecimentos sobre as tradições. Sendo assim esse é um espaço que perdura como um exemplo de preservação significativa na região.

A importância do espaço criado  na sociedade pirenopolina é de grande relevância, uma vez que as tradições desempenham um papel fundamental na preservação da identidade cultural e na coesão social, abordando a transmissão de saberes e preservação de um patrimônio.

  Como espaço de instigação e exploração que perpassa as diversas dimensões das tradições, desde as práticas culturais, religiosas, artísticas, familiares, o museu de patrimônio exerce uma função essencial na sociedade, servindo como protetores da memória coletiva e da identidade cultural.

Além de ser local de conservação de uma variedade de fontes e artefatos, a Casa Museu consiste em espaço  que oferece oportunidades de aprendizado, reflexão e interação entre o passado, o presente e o futuro.


Um   acervo de notícias e dois cavaleiros que se aprontavam em sua casa, situada na área central e bem próxima à Igreja da Matriz, fez com que pessoas e principalmente pesquisadores, em especial da UnB em um primeiro momento, passassem a frequentar a residência para buscar maiores informações sobre as Cavalhadas. Foi a partir de demandas como esta que Maria Eunice começou a batalhar para a realização de um grande sonho: “Ter um museu, foi sonho meu” como expõe em versos da poesia “O museu e eu” (PINA, 2008, p. 28 Grifo da autora).


A principal função deste espaço dedicado ao patrimônio é a proteção e manutenção de bens culturais e históricos, abrangendo desde peças artísticas, objetos e registros históricos e expressões imateriais, como celebrações e tradições.

Funciona como espaços de educação e sensibilização para todos os públicos, proporciona exposições, atividades didáticas e iniciativas que possibilitam aos visitantes explorarem diversas épocas, culturas e acontecimentos. Essa conexão com o patrimônio desperta a curiosidade, promove o pensamento crítico e auxilia na compreensão de como a história influencia o presente. Ao se aprofundarem na história e nas tradições de uma comunidade, as pessoas reforçam sua identidade cultural e cultivam um sentimento de pertencimento e orgulho.

Além de apresentarem exposições, funcionam como centros de pesquisa e geração de conhecimento. Especialistas na área de pesquisas de patrimônio, dedicam-se constantemente à análise dos acervos, aprofundando o conhecimento sobre os objetos, suas origens e interpretações. Essa investigação é essencial para a curadoria de novas exposições, a publicação de trabalhos acadêmicos e a divulgação de informações precisas, contribuindo para o enriquecimento do saber coletivo e promovendo a continuidade da pesquisa.

O Museu das Cavalhadas de Maria Eunice dedicado ao patrimônio vai além da simples exibição; sua função sempre foi social, servindo como local de encontro, reflexão e interação, permitindo que diversas culturas e visões de mundo se conectem e compreendam umas às outras e a valorização da diversidade cultural e destacando que o patrimônio é uma criação social, passível de discussões e novas interpretações, e que todas as memórias têm valor e relevância.

Portanto os estudos e reflexões com embasamento em diferentes teóricos, constatam que um museu dedicado ao patrimônio representa um aporte para o futuro, assegurando que as futuras gerações possam acessar a sua herança cultural, entender suas origens e seguir aprimorando sua identidade a partir de um passado variado e significativo. Assim consiste a história da Casa Museu na Rua Direita em Pirenópolis, Goiás.



REFERÊNCIAS

 

BRANDÃO, Carlos Rodrigues, Folclore, Cavalhadas., Goiânia, 1974.


CARVALHO, Adelmo de, , História, Pirenópolis, Turismo, Curiosidades 213 p ilustr, 1ª edição, Ed Kelps, Goiânia, 2001.


PINA, Maria Eunice Pereira e. Devaneios de uma pirenopolina. Goiânia: Kelps, 1993. 189p.





Nélia Dias Nogueira Peixoto
Nélia Dias Nogueira Peixoto

Nélia Dias Nogueira Peixoto é mestranda em Estudos e análise de expressões culturais e bens patrimoniais no Cerrado; Analisar as expressões culturais e os bens patrimoniais do Cerrado numa perspectiva interdisciplinar, pelo Programa de Pós-Graduação em Territórios e Expressões Culturais do Cerrado, da Universidade Estadual de Goiás. Suas pesquisas se debruçam sobre A GUARDIÃ DAS TRADIÇÕES - Maria Eunice Pereira e Pina e a preservação da memória das Cavalhadas de Pirenópolis.

 
 
 

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